Nos últimos anos, observamos o surgimento e expansão de diversas ong’s, grande parte com um objetivo claro: “lutar por direitos”. Surgiu ong para tudo, desde o cuidado com a preservação do meio ambiente até a defesa da cidadania. Um vasto espectro de organizações assumiu o quadro mundial.
Elas apareceram com ideal de organizar a sociedade civil. Estas organizações vinham para garantir os mínimos básicos, em muitos casos vinham para suprir as demandas sociais, responsabilidade do estado. Para ajudar auxiliar o estado, estas instituições começaram a receber benefícios como isenção de impostos, dinheiro público e a possibilidade de receber doações de pessoas e empresas, desde que todo o montante fosse investido no objetivo de existência da instituição.
Isto proporcionou crescimento das ong’s e o aparecimento do terceiro setor. Entretanto, neste contexto, moldado pelo neoliberalismo o estado passou a se omitir das demandas sociais, oferecendo ao terceiro setor a atenção com os carentes. As empresas passam a ser beneficiadas pela existência do terceiro setor, pois em nome das demandas sociais podem fazer doações às ong’s e receber do estado a isenção tributária.
Mas não bastava a isenção de impostos, as empresas queriam mais. Além de ter benefícios fiscais elas queriam impregnar sua marca, gerar mídia espontânea e receber gratuitamente espaço nobre em jornais e na televisão. Então, uniram a demanda social ao investimento de capital privado (na verdade dinheiro público, pois se trata de valor que deveria ter sido empenhando no pagamento dos impostos).
As grandes empresas, no ensejo de gastar menos e obter mais espaço na mídia, lançam seus institutos próprios, muitas vezes com o mesmo nome e logo-marca semelhante. Depois, estes institutos começam um trabalho doentio e até maluco para criar os chamados projetos sociais. Muitos até interessantes, mas alguns se formam como “Frankensteins”, pois partem de uma idéia interessante, mas como não são frutos de uma demanda local, e em alguns casos são aplicados de modo despótico nas comunidades, dificilmente se mantém ou geram bons frutos.
A responsabilidade social se apresenta como uma febre capitalista. Muito dinheiro investido, muito trabalho árduo e pouquíssimo resultado real. São os mecanismos que o neoliberalismo descobriu para manter a estagnação social. A sociedade se apresenta com um primeiro setor fraco e vulnerável, o governo, diante de um segundo setor em constante crescimento que detém o domínio do terceiro setor e faz dele seu espaço de expansão social.
Este modelo criou ong’s a serviço do neoliberalismo. Que com muita facilidade, e na busca de captar financiadores, mudam a razão de sua existência, favorecendo a manutenção das grandes empresas e garantindo a estagnação social.